Segunda semana, quinto ano, mil tarefas…
Minhas quintas-feiras começam com uma aula conjunta de Feitiços, com os alunos da Grifinória e da Sonserina. Estávamos começando a aprender feitiços que dependiam também do talento mental do bruxo, ou seja, se os N.O.M’s ocorressem nessas aulas, eu tiraria NADT. Nível Abaixo de Trasgo.
- Sentem-se, por favor. - disse o professor, animado. - Os exercícios de hoje são um pouco mais complexos do que os senhores são acostumados, mas são essenciais para os tão importantes N.O.M’s, ao final do ano letivo. - uma onda de desânimo misturada a desespero se apossou da turma. - Animem, animem esses rostos, apanhem suas varinhas e observem o que vou fazer aqui. Preciso de um voluntário… Sr. Malfoy, se importa?
- Sim. - ouvi Scorpius murmurar baixinho quando passou por mim, se dirigindo á frente da classe.
- Enquanto dizem o encantamento, devem sacudir a varinha levemente e puxá-la uma vez, como se estivessem agarrando algo. Não exagerem, é essencial que sejam suaves! Então, apontem-na para um alvo, e digam claramente: Everte Statum!
Scorpius Malfoy foi lançado bruscamente para o alto, sem aviso prévio. Antes de chegar ao teto da sala, se pôs em posição vertical e começou a girar em espiral, sob o comando da varinha do professor de Feitiços, até pousar desequilibradamente no chão. Vários alunos aplaudiram e riram da expressão irritada no rosto de Scorpius, que voltou de cara fechada para seu assento. Eu tinha que admirar sua capacidade de ficar calado; não parecia uma experiência agradável.
- Antes de saírem empurrando seus colegas no ar sem nenhuma cerimônia, pratiquem com almofadas, depois com ampulhetas, e assim por diante. O mínimo de acidentes, por favor.
Fazer o que, senão praticar? Rumo ao fim da aula, consegui acertar a cabeça de Caroline com uma almofada, quebrar um relógio de vidro e estava tendo pouco progresso com a escultura de um busto de fantasma, e então o professor avisou que já poderíamos formar duplas.
Era normal que eu ficasse sem dupla nas aulas de feitiços; eu era um fracasso com a matéria. No fim, tive de fazer com Scorpius, e o humor dele não melhorou nem um pouquinho.
- Posso começar? - ele assentiu, ainda mal-humorado. Aprumei minha mão que segurava a varinha, me foquei bem no tronco do garoto e exclamei:
- Everte Statum! - o corpo dele foi lançado para cima, e fiz o possível para que ele não se quebrasse ao meio, morresse, vomitasse, enfim… essa sorte de coisas. Ele caiu ao chão com um pequeno pouso, e me preparei para ser lançada para o alto.
Não foi exatamente para o alto, eu diria mais “para o meio das plantas, perto do Salgueiro Lutador, batendo a cabeça no chão”.
Ao invés de levitar, senti meu corpo pressionado fortemente contra o gramado de Hogwarts.
Ai.
